antonio
Membro Recente

Mensagens: 20
|
 |
« Responder #3 em: Agosto 29, 2010, 05:39:10 » |
|
Deixo aqui, para quem tiver interesse, um artigo que publiquei no jornal "Brisas do Sul" de Julho de 2010, sobre esta questão do Guia Turístico:
Há 4 anos, quando a APOS teve início formal, logo afirmámos para quem nos quis ouvir, que era objectivo da associação desenvolver de forma sustentável Olhão, através da manutenção e rentabilização económica do património dos olhanenses, sempre em seu favor. Perante estas afirmações, muitos sorriam e indicavam um aparente paradoxo: em Olhão, quem tinha o “Poder” de rentabilizar este património não evidenciava interesse nisso (falavam obviamente da Câmara Municipal de Olhão), e quem tinha interesse no assunto, como era o nosso caso, não tinha qualquer “Poder” para o fazer… Por outro lado, a sociedade civil olhanense vivia uma letargia cívica absoluta. Era impensável pedir à sociedade civil iniciativas cívicas ou políticas: à sociedade civil apenas se admitia iniciativas que visassem o mero entretenimento. E, talvez mais importante, o presidente da autarquia tinha ainda um capital de simpatia muito grande. Eu próprio cheguei a considerá-lo um político muito válido, e não entendia porque quase nada se fazia para manter as características identificadoras da terra… Alvitrava eu que poderia ser da falta de ajuda dos vereadores, que aliás sistematicamente mudavam, talvez exactamente porque o presidente concluiria que se tinha enganado em escolhê-los… A verdade é que a inanição autárquica era uma realidade e alguém, na sociedade civil, teria que lançar uma primeira pedrada no charco! E alguém teria que demonstrar que mesmo sem o Poder na mão, era possível fazer avançar a sociedade local (yes, we can!). Muito foi feito desde esse momento em que se decidiu avançar, mas uma das coisas de que mais me orgulho é o facto de termos publicado em papel, finalmente, no último mês de Maio, o nosso Guia Turístico de Olhão, por ser o primeiro guia verdadeiramente consistente e informativo, não só para portugueses, como também para estrangeiros que dominem a língua inglesa. Trata-se de um exemplo de como é possível, uma pequena associação sem qualquer apoio, pôr na rua uma publicação que promove a localidade, dando um sinal claro ao Poder político vigente que, se eles ainda não o conseguiram fazer, é apenas por falta de vontade e visão política, e que agora não têm desculpa, têm mesmo que nos seguir e avançar no caminho que lhes indicamos. É importante explicar que este nosso Guia é o corolário do trabalho de cerca de uma dezena de voluntários, durante 3 anos, em que por 3 vezes se pediu em vão a colaboração da Câmara Municipal. Os primeiros pedidos, feitos directamente ao presidente, não mereceram sequer resposta. O último pedido ocorreu em Fevereiro deste ano de 2010, em que a APOS enviou uma cópia do seu Guia a todos os vereadores da autarquia. O actual vereador da Cultura, meu homónimo Dr. António Pina, teve a simpatia de me responder em nome do executivo, revelando que, afinal, já tinham um Guia Turístico e, por extraordinária coincidência, estariam a melhorá-lo exactamente naquele momento, pelo que seria redundante apoiar o nosso trabalho… A verdade é que a APOS disponibilizou de forma transparente o seu trabalho em Fevereiro de 2009 na internet e, ainda de forma mais transparente, enviou-o em papel para a Câmara Municipal em Fevereiro de 2010. Em contraste absoluto, a Câmara tem funcionado como uma sociedade secreta, em que os cidadãos estão impossibilitados de ter conhecimento dos conteúdos de um simples Guia Turístico que pretensamente já existia… ou que estaria em preparação! Efectivamente, segundo consta, posteriormente ao nosso contacto, a Câmara Municipal terá contratado os serviços de uma empresa com experiência na elaboração de Guias Turísticos para várias autarquias (aparentemente com sede no Norte do País). Ao que parece, pelo menos um funcionário desta empresa andou em Olhão angariando publicidade de vários empresários locais, com uma carta de recomendação da Câmara na mão, por forma a conseguir fundos para a publicação de cerca de 10.000 exemplares deste futuro Guia. Claro que este último esforço é de aplaudir. Pena é que suceda apenas como reacção a uma iniciativa da sociedade civil! Pena é que se prefira “atirar” dinheiro para uma empresa comercial estranha a Olhão, em vez de apoiar sem grandes custos o trabalho da sociedade civil local! Pena é que tudo isto seja feito, não porque haja um interesse genuíno em promover Olhão, mas apenas porque há um interesse pequenino em esvaziar a iniciativa cívica da sociedade civil local! 12 de Junho de 2010 António Paula Brito Presidente da APOS (Associação de Valorização do Património Cultural e Ambiental de Olhão)
|